16 de agosto de 2011

Florbela Espanca - Amar Intensamente...




Amar Intensamente... De que vale no mundo ser-se inteligente
ser-se artista, ser-se alguém, quando a felicidade é tão simples!
Ela existe mais nos seres claros, simples, compreensíveis e por isso
a tua noiva de dantes, vale talvez bem mais que a tua noiva de agora,
apesar dos versos e de tudo o mais. Ela não seria exigente eu sou-o
muitíssimo. Preciso de toda a vida, de toda a alma, de todos os
pensamentos do homem que me tiver. Preciso que ele viva mais da
minha vida que da vida dele. Preciso que ele me compreenda,
que me adivinhe. A não ser assim, sou criatura para esquecer com
a maior das friezas, das crueldades. Eu tenho já feito sofrer tanto!
Tenho sido tão má! Tenho feito mal sem me importar porque quando
não gosto, sou como as estátuas que são de mármore e não sentem.
- Florbela Espanca, in Correspondência (1920) -



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